A Parte mais Embaraçosa do meu Transtorno Bipolar
Em 2008, eu estava morando em Seattle e tentando encontros on-line. Estava também no meio de um Transtorno Bipolar tipo II. Estava medicado, mas as medicações não pareciam estar funcionando. Eu me percebia frequentemente insensível com os outros, irritado e deprimido. O Transtorno Bipolar também tem a tendência de fazer com que a pessoa se volte para si mesmo, longe de se preocupar com os outros, apesar de nossas melhores tentativas.
Conheci Abbie* por meio de um website de relacionamentos. Ela foi muito doce e fofa. Nós saímos por alguns meses – para comer, passamos a noite no apartamento de um e do outro, conversando sobre músicas, cinema e sobre a vida.
No entanto, comecei a ter dúvidas. Abbie era muito mais afetuosa comigo do que eu com ela. Ela se encaixou, me elogiou sem fim sobre minha inteligência, minha aparência, como eu era cuidadoso e sobre meu senso de humor. Chegou ao ponto em que eu comecei a me perguntar se ela estava falando sobre mim ou sobre outra pessoa. Minha autoestima não era alta o tempo todo e era difícil, senão impossível, acreditar nela quando ela dizia tais coisas sobre mim.
Após namorarmos por alguns meses, minhas dúvidas superaram qualquer senso de afeição que eu poderia ter por ela. Somando-se a isso, como uma pessoa bastante organizada, minha irritação aumentou com a confusão e a bagunça no seu apartamento, assim como com a desordem em sua vida pessoal.
“Então, precisamos conversar”, eu disse a ela em um tom sério.
“Hum, claro. O que houve?” ela perguntou.
Sua voz reconheceu que o meu tom significava "conversar sobre negócios". Sua energia normal foi perdida.
“Eu não estou sentindo como se nós estivéssemos dando certo. Eu gosto de você, mas eu não estou em condições de estar em um relacionamento. Eu pensei que eu estivesse, mas levou algum tempo para eu perceber que eu não estou. Tenho muitas questões para trabalhar”.
Ela começou a lacrimejar. “Que tipo de questões?”.
“Ah, você sabe. Sou deprimido e ansioso”.
“Eu não me importo. Estou disposta para estar lá por você quando se sentir desse modo”.
“É, não sei. Eu simplesmente não sinto isso dando certo”. Ela estava chorando nesse momento. Comecei a sentir meu estômago embrulhado. Eu odeio fazer as pessoas chorarem, especialmente as que estou saindo.
“Por que você só está me dizendo isso agora? Você nunca se abriu para mim!”.
Ela estava ficando brava e eu recuei por dentro. Eu não queria um confronto.
Eu queria uma lágrima rápida como curativo e acabar com aquilo.
“Hum, eu sinto que me abri um pouco com você. Eu partilhei com você algumas coisas pessoais”. Comecei a ficar defensivo. Qualquer senso de empatia ou gentileza que eu tinha dirigido a ela estava se dissolvendo rapidamente.
“Não, eu quero dizer como você está se sentindo como agora. Você nunca me disse o que você estava sentindo”.
“Bom, eu estou dizendo como me sinto agora”. Eu disse, com raiva.
“Não, você não disse. É tão frustrante o quanto você manteve tanto por dentro.
“Eu nunca sei o que você está pensando”. Ela chegou no ponto. Abertura nunca foi o meu forte. Minha terapeuta e diário são bons ouvintes, mas eu fui mais cauteloso ao me abrir para parceiros e amigos. Eu suponho que eu não queria sobrecarregar ninguém com minhas reclamações sobre a vida. Ainda assim, eu senti que eu tinha me aberto com Abbie – mais do que eu tinha me aberto com qualquer um em um longo tempo.
Conheci Abbie* por meio de um website de relacionamentos. Ela foi muito doce e fofa. Nós saímos por alguns meses – para comer, passamos a noite no apartamento de um e do outro, conversando sobre músicas, cinema e sobre a vida.
No entanto, comecei a ter dúvidas. Abbie era muito mais afetuosa comigo do que eu com ela. Ela se encaixou, me elogiou sem fim sobre minha inteligência, minha aparência, como eu era cuidadoso e sobre meu senso de humor. Chegou ao ponto em que eu comecei a me perguntar se ela estava falando sobre mim ou sobre outra pessoa. Minha autoestima não era alta o tempo todo e era difícil, senão impossível, acreditar nela quando ela dizia tais coisas sobre mim.
Após namorarmos por alguns meses, minhas dúvidas superaram qualquer senso de afeição que eu poderia ter por ela. Somando-se a isso, como uma pessoa bastante organizada, minha irritação aumentou com a confusão e a bagunça no seu apartamento, assim como com a desordem em sua vida pessoal.
“Então, precisamos conversar”, eu disse a ela em um tom sério.
“Hum, claro. O que houve?” ela perguntou.
Sua voz reconheceu que o meu tom significava "conversar sobre negócios". Sua energia normal foi perdida.
“Eu não estou sentindo como se nós estivéssemos dando certo. Eu gosto de você, mas eu não estou em condições de estar em um relacionamento. Eu pensei que eu estivesse, mas levou algum tempo para eu perceber que eu não estou. Tenho muitas questões para trabalhar”.
Ela começou a lacrimejar. “Que tipo de questões?”.
“Ah, você sabe. Sou deprimido e ansioso”.
“Eu não me importo. Estou disposta para estar lá por você quando se sentir desse modo”.
“É, não sei. Eu simplesmente não sinto isso dando certo”. Ela estava chorando nesse momento. Comecei a sentir meu estômago embrulhado. Eu odeio fazer as pessoas chorarem, especialmente as que estou saindo.
“Por que você só está me dizendo isso agora? Você nunca se abriu para mim!”.
Ela estava ficando brava e eu recuei por dentro. Eu não queria um confronto.
Eu queria uma lágrima rápida como curativo e acabar com aquilo.
“Hum, eu sinto que me abri um pouco com você. Eu partilhei com você algumas coisas pessoais”. Comecei a ficar defensivo. Qualquer senso de empatia ou gentileza que eu tinha dirigido a ela estava se dissolvendo rapidamente.
“Não, eu quero dizer como você está se sentindo como agora. Você nunca me disse o que você estava sentindo”.
“Bom, eu estou dizendo como me sinto agora”. Eu disse, com raiva.
“Não, você não disse. É tão frustrante o quanto você manteve tanto por dentro.
“Eu nunca sei o que você está pensando”. Ela chegou no ponto. Abertura nunca foi o meu forte. Minha terapeuta e diário são bons ouvintes, mas eu fui mais cauteloso ao me abrir para parceiros e amigos. Eu suponho que eu não queria sobrecarregar ninguém com minhas reclamações sobre a vida. Ainda assim, eu senti que eu tinha me aberto com Abbie – mais do que eu tinha me aberto com qualquer um em um longo tempo.
“Eu não sei o que te dizer, Abbie. Eu senti como se eu tivesse me aberto”. Fui petulante e sem cuidado nesse ponto. Eu queria sair.
Conversamos algumas vezes depois disso e comemos juntos uma ou duas vezes, e então cada um seguiu seu caminho. Alguns meses depois, eu já tinha me mudado por todo o país, mas nunca mais falei com ela novamente.
Recentemente, ao passar por alguns e-mails, eu percebi quanta dor minha irritabilidade e frustração com ela causou. Eu reli algo que tinha esquecido: Abbi cresceu em contexto de abuso e sem lar. É possível que ela não tenha tido os melhores exemplos de amor e relacionamentos. Ela experienciou muita ferida e dor em sua infância.
Com relação a gentileza e empatia, eu não fiz um bom trabalho com ela. Minha depressão e mau humor frequentemente fazem eu ser centrado em mim mesmo, um idiota que machuca. Eu posso ser insensível a tudo, exceto sobre minhas questões. Abbie não precisava de alguns meses eu agindo como se eu me importasse com ela, só para depois eu puxar o tapete debaixo de seus pés. Ela precisava de amor, respeito e apreciação. Eu tentei dar para ela algo em torno disso, mas eu não era a pessoa certa para fazê-lo.
Eu não sei como eu poderia sair dessa situação sem machucá-la em algum grau. Da minha perspectiva, era inevitável. A retrospectiva me mostra que tudo o que ela procurava era amor, e eu fiz um pobre trabalho de comunicação com ela. Talvez eu tenha mantido muita coisa comigo. Mas me sinto muito mal sobre o modo como eu tratei alguém que cresceu sem abrigo e nas mãos de membros familiares abusivos. Poderia ter sido mais sensível de minha parte.
Meu Transtorno Bipolar, então, tem uma tendência para esmagar essa sensibilidade. Causa eu me focar em mim mesmo e aumentar o mau humor quando as coisas não são exatamente como eu quero. É uma das partes menos lisonjeiras da minha personalidade - o que, quando ocorre, me embaraça mais.
*Devido à privacidade o nome foi trocado.
Depoimento original em inglês em:
https://themighty.com/2018/02/embarrassing-part-of-bipolar-disorder-relationship/
Tradução livre.
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