Testes Psicológicos, Orientação Profissional e Autoconhecimento
Qual o papel dos instrumentos psicológicos na escolha profissional e como eles ajudam no autoconhecimento?
Os testes psicológicos, que são de uso exclusivo do(a) psicólogo(a), são importantes instrumentos reconhecidos cientificamente que ajudam no trabalho de orientação profissional e que servem para vários fins.
Alguns dos testes psicológicos usados para a orientação vocacional/profissional (individual ou em grupo), são os de personalidade, os de interesses profissionais, os que avaliam o nível de maturidade para a escolha da profissão, entre outros aspectos do indivíduo.
Os testes não têm como objetivo mostrar características do avaliado de forma imutável, pois o ser humano está permanentemente em desenvolvimento. Deste modo, os testes indicam como a pessoa está por ocasião da realização destes testes; e servem para avaliar seus aspectos pessoais quando não há “notas”, respostas certas ou erradas ou ainda aprovação ou reprovação.
Entretanto, os testes não são as únicas técnicas existentes para a Orientação Profissional. Assim, é muito importante que os testes psicológicos sejam utilizados como um complemento do trabalho, para ajudar o profissional a compreender o cliente como um todo. Deste modo, outras técnicas também são utilizadas em orientação profissional como: as entrevistas, as dinâmicas (quando em grupo), a utilização de jogos e a realização de pesquisas (sobre profissões, instituições de ensino, mercado de trabalho, áreas de trabalho dentro de uma mesma profissão, remuneração e ambiente de trabalho, por exemplo). Além disso, é fundamental que o avaliado conheça seus aspectos internos, suas características pessoais, suas motivações e interesses, seus potenciais e habilidades.
Alguns teóricos psicanalistas, como Bohoslavsky (1998), propõem a modalidade clínica de O.P. tendo como base a teoria psicanalítica. Bohoslavsky aponta ainda a importância das identificações pessoais e do processo de constituição da identidade vocacional-ocupacional, que se relaciona diretamente ao processo de identidade pessoal. Quanto mais a fundo se for nas projeções e necessidades inconscientes do cliente, mais completa se dará a orientação profissional. Muitas vezes o orientando conhece seus interesses, mas não sua raiz, pois a escolha profissional é fruto de motivos conscientes e inconscientes e pode estar cercada de fantasias.
Um artigo publicado na revista Mente & Cérebro de agosto de 2010, "Não fui eu, foi meu cérebro!", de Caio Margarido Moreira, cita uma publicação de maio de 2008 da revista Nature Neuroscience : "O pesquisador Chun Siong Soon e seus colegas de institutos alemães e belgas [...], encontraram evidências que nossas decisões podem ser traduzidas em atividade cerebral até dez segundos antes de se tornarem conscientes [...]. Soon e seus colegas propuseram que, apesar de termos a impressão de que somos livres para fazer nossas escolhas [...], os dados indicam que a experiência subjetiva de liberdade é apenas ilusória, e que nossas ações são, na verdade, realizadas por processos inconscientes muito antes de tomarmos consciência de nossos atos".
É importante lembrar que a Orientação Profissional não é apenas direcionada para adolescentes em sua primeira escolha profissional, mas também pode ser direcionada para adultos em mudança de carreira e até mesmo preparar para a aposentadoria.
Por fim, é fundamental que haja o envolvimento do orientando em todo o processo, para mobilizar a sua capacidade de escolha autônoma. (NEIVA, 2013).
Descrição da imagem: duas caixas pretas de testes psicológicos para orientação profissional em que está escrito na parte de cima das caixas "soluções em psicologia" - testes EMEP e QUATI, da Vetor Editora.
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