Conselhos e Aconselhamento Psicológico

Quem nunca precisou ou deu um conselho? Para quê preciso de um psicólogo ou psicóloga?

Lendo na internet a citação "Dão-se conselhos, mas não se dá a sabedoria de os aproveitar", Talmud, do site recanto das letras, me fez refletir e escrever sobre a diferença entre conselho e Aconselhamento Psicológico, que ainda traz certa confusão para as pessoas que não conhecem o trabalho do psicólogo ou mesmo da psicoterapia.

A divulgação da psicologia e do trabalho do psicólogo é bastante delicada, uma vez que existe o sigilo sobre os atendimentos e sobre o trabalho desenvolvido. Assim, ainda há bastante informação incompleta, cercada de mistério, preconceitos e resistências acerca do que é psicologia.

Quando pensei em criar um espaço de divulgação com conteúdos sobre psicologia, o objetivo foi justamente trazer informações a respeito da psicologia e do trabalho do psicólogo, daí surgiu o nome "Conhecer Psicologia", já que me perguntaram diversas vezes o porquê deste nome. Entretanto, a ideia é tornar acessível o que é psicologia e o que ela pode fazer pelas pessoas, sem, contudo, divulgar os métodos e técnicas usadas no trabalho e sem divulgar resultados, já que seria antiético, diferentemente de outras profissões em que o sigilo não é fundamental e obrigatório.

Conselho é diferente do trabalho do psicólogo.

O psicólogo não dá conselhos e o Aconselhamento Psicológico tem como teoria a de Carl Rogers (1902-1987), com a abordagem centrada na pessoa, que é diferente do conselho usado socialmente. O conselho está mais para “eu no seu lugar faria...” ou ainda “na minha opinião....”; seria uma compreensão “de fora para dentro” ou aprender com a experiência do outro, o que à vezes pode ajudar, mas também pode atrapalhar.

O psicólogo não usa opinião própria e trabalha de forma neutra, usando técnicas psicológicas próprias da abordagem que trabalha, para uma mudança que é construída aos poucos. Em sessão de psicoterapia, por exemplo, as vivências do cliente são recordadas e novamente experienciadas de modo que ele tenha uma compreensão “de dentro para fora”, com insights e ressignificação do que já viveu anteriormente, trazendo reflexão. Desse modo, o cliente pode ter uma transformação profunda com paciência e persistência. O que muita gente também ainda não sabe, é que psicoterapia é um trabalho em conjunto: cliente e psicólogo.

Quando procurar uma psicóloga ou psicólogo?

- Quando se sentir deprimido(a), angustiado(a), estressado(a) ou ansioso(a);
- Quando tiver conflitos de relacionamentos ou em conflito interno;
- Quando estiver numa fase de sofrimento ou de difícil transição;
- Quando não conseguir lidar com as próprias emoções;
- Quando estiver passando por perdas, lutos, separações ou divórcios;
- Quando busca um desenvolvimento pessoal e autoconhecimento (Orientação Profissional ou como prevenção);
- Quando sentir que precisa de ajuda, mesmo sem motivo aparente;
- Quando tiver transtornos alimentares, obsessões, manias, compulsões, fobias;
- Quando sua filha ou filho estiver apresentando dificuldades emocionais, na aprendizagem ou no comportamento; e outras situações.

Um bom profissional identifica o momento de encaminhar o cliente para um psiquiatra para avaliar se há necessidade de uso de remédios, ajuda a identificar reações e mudanças relativas à medicação e pode estimular a não interrupção do tratamento psiquiátrico por parte do cliente.

Os medicamentos psiquiátricos ajudam no processo em alguns casos e o tratamento, juntamente com a psicoterapia, será completo; contudo, é importante que não se acomode com a medicação e continue com a psicoterapia, pois somente fazer uso de medicamentos psiquiátricos pode não ser suficiente.

De acordo com o pesquisador neurocientista Eero Castrén, da Universidade de Helsinque, na Finlândia, como mostrado na postagem anterior, é necessário combinar o tratamento medicamentoso com a psicoterapia para que haja novas conexões neurais, permitindo que o cérebro "reaprenda" a funcionar. Se não há mudanças no ambiente e na forma como o paciente lida com seus conflitos, a medicação sozinha não tem capacidade de fazer tais mudanças no cérebro. "Simplesmente tomar antidepressivos não é o bastante. Nós precisamos também mostrar ao cérebro quais são as conexões desejadas", disse o pesquisador.


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