Quando a brincadeira vira ofensa
Imagem apenas ilustrativa.*
Pouco se fala sobre o comportamento passivo-agressivo e, embora muitas vezes seja um comportamento velado, não é muito difícil de ser encontrado. O comportamento passivo-agressivo se caracteriza por um padrão invasivo de atitudes negativistas, é um modo destrutivo de comportamento que começa no início da vida adulta e segue os seguintes critérios:
- Resistência passiva à realização de tarefas sociais e ocupacionais rotineiras;
- Queixas de ser incompreendido e desconsiderado pelos outros; queixas que nem sempre são verbalizadas, mas atuadas;
- É mal humorado e com tendência a discussões; imposição de pontos de vista, reagindo mal à oposições (do contra); normalmente com visão e atitudes negativas indiretas e oposição velada;
- Alternância entre desafio hostil e penitência: têm posição hostil em relação àqueles que inveja, se opõem a ele ou representam autoridade, às vezes com arrependimento (normalmente em segredo), podendo voltar a ser hostil;
- Critica irracionalmente e desdenha autoridade;
- Verbaliza queixas exageradas e persistentes de infortúnio pessoal;
- Agressividade verbal; raramente física.
Mas, talvez, as características mais sutilmente perceptíveis desse tipo de comportamento são a inveja e ressentimento para com aqueles que aparentemente são mais afortunados, em qualquer área da vida; pessoas com comportamento passivo-agressivo fazem uso de fofocas ou críticas a um terceiro como modo de expressar sua insatisfação com o outro e diminuir sua importância, na tentativa de influenciar negativamente a opinião de outras pessoas, normalmente usando indiretas, ironia e sarcasmo com o mesmo objetivo.
Só que essas pessoas tendem a escolher um ou mais "alvos" em um mesmo grupo, ou seja, o objetivo é menosprezar o objeto (sujeito) invejado. Deste modo, tendem a ser extremamente amigáveis com as outras pessoas do grupo com intuito de se combinar em conluio e se fortalecer, podendo fazer o alvo de ataque motivo de piada.
Assim, a agressão verbal velada é uma ferramente usada de modo indireto ou passivamente; pode fazer um comentário público aparentemente inofensivo, com superficial "graça", quando na verdade está agredindo a pessoa invejada de modo a diminuir seu valor perante outras pessoas. Como tende a ser muito amigável com quem deseja aliar-se, outras pessoas podem realmente ser influenciadas e levadas a acreditar que o objeto, secretamente invejado, não tem valor.
Como o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) classificou o comportamento passivo-agressivo:
- DSM III – Transtorno da Personalidade Passivo-Agressiva;
- DSM IV – Transtorno da Personalidade Sem Outra Especificação, Transtorno da Personalidade Passivo-Agressiva ou Negativista;
- DSM V – É citado em “Outro transtorno da personalidade especificado e transtorno da personalidade não especificado”.
Assim, o "Transtorno da Personalidade Passivo-Agressiva", deixou de fazer parte do DSM como um transtorno da personalidade específico pois, apesar de atender critérios gerais para um transtorno da personalidade, são necessários mais estudos a respeito.
Chamamos de “personalidade” os traços emocionais e comportamentais do indivíduo que se manifestam na vida cotidiana. O modo como percebe o ambiente e o que é vivenciado por ele, seu modo de ser, pensar, agir, reagir diante das situações nos seus relacionamentos sociais e profissionais.
O padrão de personalidade, sob condições normais, apresenta-se com traços relativamente estáveis e previsíveis. Quando há um transtorno da personalidade, que difere de um transtorno mental como a depressão, por exemplo, há uma variação nesses traços. Assim, constitui-se “Transtorno da Personalidade” quando esses traços são inflexíveis, mal ajustados e causam sofrimento subjetivo ou apresenta um funcionamento comprometido, afetando suas relações e a sociedade. Contudo, esse sofrimento raramente afeta o indivíduo; tende a não reconhecer sua condição, diferentemente dos indivíduos com transtornos de ansiedade, depressão ou obsessivos compulsivos, por exemplo. Nesses últimos casos, o indivíduo também sofre com sua condição e está mais aberto ao tratamento psiquiátrico ou psicológico.
Como raramente os indivíduos com transtorno da personalidade percebem a dor que causam nos outros como sendo sintomas seus, são considerados desmotivados para o tratamento e, consequentemente, muitas vezes, considerados irrecuperáveis.
O comportamento passivo-agressivo é prejudicial nas relações interpessoais, podendo ser visto como manipulador e punitivo (ou vingativo). A pessoa com comportamento passivo-agressivo está mais envolvida com ressentimento do que com satisfação.
A psicoterapia é indicada para que o indivíduo tenha consciência do seu comportamento e dos prejuízos que ele pode trazer nas suas relações interpessoais, já que as pessoas tendem a se afastar.
A psicoterapia também é indicada para que o indivíduo possa desenvolver um modo assertivo de comunicação. Em alguns casos, pode ser indicado o uso de antidepressivos, se houver diagnóstico que justifique.
*Sobre a imagem #PraCegoVer: não há estudos suficientes sobre maior incidência em homens ou mulheres, assim, o comportamento pode ser encontrado em qualquer pessoa. A imagem em desenho com fundo azul mostra uma mulher, em tons da cor laranja claro, pensativa com a mão no queixo olhando para um homem, também em tons da cor laranja, que afasta do seu rosto uma máscara igual a si mesmo sorrindo, sendo amigável, quando na verdade seu rosto por trás da máscara está demostrando raiva em tons mais avermelhados.
Fontes: DSM IV e V, Compêndio de Psiquiatria (Artmed). Imagem: http://www.psiconlinews.com/2015/10/9-coisas-que-so-um-passivo-agressivo-e-capaz-de-fazer.html

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